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quarta-feira, 27 de julho de 2011

LIMPEZA DE CARÁTER


            Nós gostamos de limpeza! De higiene. Não tem nada de errado com isso. Aliás, é até bom. Pela falta de higiene a sobrevida das pessoas durante a idade média girava em torno dos 25 a 35 anos, raramente passando disso. Com a melhoria das condições de saneamento básico as pessoas passaram a viver mais e melhor. Isso, aliado a algumas técnicas de “banho” fez com que muitas pestes que antes assolavam e destruíam a humanidade, fossem praticamente erradicadas. Um exemplo simples disso é: se escovamos os dentes; mantemos os dentes no lugar onde eles devem estar! Na boca; inteiros e sem cáries.
            Mas o termo limpeza não tem só a ver com higiene! Ele extrapola este simples significado e vai além!     
            Hoje em dia, tristemente, nos deparamos com uma tal de “limpeza étnica”.        
            Não é um termo moderno. Hitler já se utilizava dele, para justificar o extermínio dos judeus enquanto buscava a supremacia da raça ariana.
Embora ele tenha sempre existido, gostamos de fingir que ele não está aí. Mas uma ou outra “facção” insiste em nos lembrar que nós não estamos curados e muito menos imunizados desta sujeira.
            O atentado na Noruega, no dia 22 de julho, esfregou na nossa cara, uma vez mais, o quanto gostamos de limpeza. Talvez não eu e você. Mas alguns indivíduos que, aparentemente normais, são capazes de armazenar uma quantidade de ódio impressionante e de transformá-lo em atitudes terríveis que um ser humano “normal” não seria capaz de tomar. Eles estão entre nós! Disfarçados! E, agora sim, podem ser quaisquer um. Inclusive eu e você!
            O fato é que nos separamos por pouca coisa. Ou coisa nenhuma.
            O que fez o homem branco escravizar o homem negro foi uma diferença superficial. E todos nós cometemos este mesmo erro. Analisamos o mundo e os outros tendo como base de comparação, ninguém menos que nós mesmos. Intimamente acreditamos que a nossa maneira de viver é a melhor, a mais correta, a mais saudável. Ainda que nós estejamos cheios de vícios horríveis e de hábitos detestáveis, aos nossos olhos todos deveriam levar a vida como nós, porque somos “muito legais”.
            Sabemos que estamos errados e errando, mesmo assim somos muito brandos na hora de julgar-nos. Em contrapartida, os menores deslizes, ou até mesmo atitudes diferentes que partam de outras pessoas, são rigorosamente castigados por nosso julgamento afiado.
            A maioria dos seres humanos torna-se apenas chato, orgulhoso, irritante e consequentemente insuportável. Mas alguns chega aos extremos da intolerância e na tentativa de “purificar” o ambiente, promove esta limpeza étnica e social, como foi o caso do atentado em Olso.
            A culpa de Anders Behing Breivik é incontestável, pois ele é um réu confesso. Mas na cabeça dele, não foi um crime contra a humanidade o ocorrido. Foi mais um serviço à própria humanidade, algo como resolver o problema com o acúmulo de lixo, ou como descobrir uma vacina contra uma enfermidade destruidora.
            Isso é tão triste quanto perceber que nós só somos diferentes dele por uma questão meramente circunstancial. Talvez a maioria de nós não seja capaz de detonar bombas em lugares públicos e nem de disparar contra seres humanos. Mas com certeza desprezamos, tememos e evitamos as diferenças e os diferentes por uma questão de conforto e proteção. Lá no fundo nos sentimos melhores que os outros ainda que não haja nenhum motivo racional para isso.
            Ainda é impossível entender uma mente terrorista/psicopata! E mais difícil ainda é detectar um individuo como este em meio à multidão. Mas com certeza podemos combater os efeitos nocivos do racismo em nós mesmos. Começando por uma autocrítica consciente, que aumente o nosso rigor para julgar-nos e nos torne menos separatistas em relação aos que apresentem quaisquer diferenças.        

Alexandre Rozato – tolo em recuperação