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terça-feira, 26 de abril de 2011

UM MODERNO MAL ANTIGO

            Sempre fui o menino mais magrinho da minha sala de aula. Magro e baixo. Um verdadeiro “chassi de pernilongo”, termo que ouvi muitos anos depois e que define perfeitamente e com muito bom humor a condição física de meninos como eu era. Claro que, por conta de tanta “exuberância” física, sempre sobravam piadas das mais ácidas. Principalmente porque crianças estão cotadas entre as criaturas mais cruéis da face da terra. Elas não têm escrúpulos nem piedade! Vale a máxima: perde-se o amigo, mas não a piada.          
            Recentemente entrei em contato com um novo termo. Trata-se do moderníssimo bullying, que nada mais é do que a “boa” e velha zoeira da época de colégio, que agora tomou vultos de “patologia social” e, antes tarde do que nunca, chama atenção para um problema que surgiu junto com a humanidade.
            É bem verdade que, como de costume, nós tomamos o todo por causa de alguns fatos. Claro que o bullying não é bom e a minha intenção não é defendê-lo, muito menos incentivá-lo. Mas também não vou dar ao monstro um “tamanhão” descomunal, principalmente levando-se em consideração que a quantidade de sobreviventes é infinitamente superior à quantidade de caídos em combate.
            Eu sofri bulying por causa de uma condição física comum que era peculiar a mim. Magrinho pobrezinho! Mas nem por isso me tornei psicótico, depressivo ou qualquer coisa do gênero. E o motivo é bem simples. Eu não sou um homem que se fez a si mesmo! Repito. Não sou responsável pelo meu próprio crescimento. Tive família estruturada. Isso faz toda a diferença!
            Pode parecer que não, mas uma criança plenamente amada em casa por alguém que seja o seu porto seguro, sejam pais, sejam avós; uma criança que não se sinta rejeitada nem física nem intelectualmente por aqueles que formarão o seu caráter; um assim dificilmente sucumbirá às pressões de qualquer sociedade. Ele resistirá e gritará quando os abusos forem desmesuradamente agressivos, descambando para a violência e tornando-se criminosos.
            Se nossas famílias não estivessem tão alquebradas, tão avulsas, tão destreinadas na antiga arte de criar filhos, provavelmente não estaríamos sofrendo com este vagalhão de ofensas tão insuportáveis às nossas frágeis crianças.
            Treinem seus filhos! Preparem sua geração! Estejam com eles, não só para passar um tempo, mas para construir uma vida.
            Magrinho sim! Frágil, talvez. Mas nunca conformado. Nunca indefeso!
            A sociedade é criminosa e cruel sim por causa do bullying. Mas antes, ela é culpada pelo abandono de seus rebentos, gerando duas facções. De um lado as vítimas impotentes deste moderno mal antigo, sofrendo caladas e sentindo-se totalmente abandonadas e completamente incapazes de esboçar qualquer reação, que seja pedir socorro. Do outro, os “bullyingnadores”, pessoas que não foram devidamente apresentadas à limites em nenhum momento de suas vidas e que por conta disto acham-se no direito de romper os limites dos direitos dos outros.
            Nascemos, crescemos e vivemos numa sociedade sem pais. Somos filhos do acaso com um dedo na boca e outro no gatilho!

Alexandre Rozato – observador estarrecido e reacionário     
             
             

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ESSE GRANDE MESTRE: O COELHO

            É da natureza dos humanos realizarem estatísticas! Adoramos contar. Queremos saber quantos somos e quantos éramos; pra podermos saber quantos seremos e quantos carros serão vendidos e em quanto tempo não vai dar mais pra usar nenhum deles por causa do trânsito. Queremos saber sobre nossa opinião sobre os políticos, em quem nós vamos votar e quais são as melhorias que a gente quer. E tudo isso pra nada. Nadinha mesmo! Afinal, os candidatos se repetem de maneira patológica e quando mudam, nem percebemos de tão ruins que eles são. Fazemos pesquisa de preços e constatamos que tudo está subindo, mas o órgão responsável pela pesquisa, faz questão de ressaltar que não é por causa da inflação. Porque não tem inflação! Então ta subindo por quê? Bom. Deixa pra lá!
            O que eu quero mesmo é engrossar a estatística das estatísticas e lançar mais uma. A do chocolate e os efeitos colaterais no bolso, na cara, no peso. Eu não fiz pesquisa nenhuma pra lançar estes dados. Nem se pode chamar de “dados”! É fruto de observação. E de auscultação também.
            Os “estragos” são dos mais variados. Peso extra, espinhas à granel e rombo na conta bancária! Um dos maiores efeitos colaterais do pós-páscoa é o arrependimento. Desde que me lembro da páscoa, como a celebração da gula, me lembro também de escutar os lamúrios de moças e rapazes que ganharam centímetros, desfiguraram o rosto e endividaram-se! Sim; pasmem. O apelo que os ovos de páscoa emanam é tão poderoso que faz certos indivíduos (não poucos) comprarem as iguarias valendo-se dos sempre “generosos” cartões de crédito, não só para presentear, mas também para consumir. Todos sabem que o chocolate é religiosamente igual ao que compõe as barras e os bom-bons que ficam o ano todo sendo comercializados, mas isso não impede o consumo. Talvez exatamente pelo fato das guloseimas só apresentarem este formato oval, na páscoa. É tão apelativo assim o formato do doce? Pelas “estatísticas”, é sim!
            Coisas quase sobrenaturais e totalmente misteriosas cercam estes objetos do desejo. Para começar os “entregadores” são coelhos. É sabido que coelhos são vivíparos, ou seja, não botam ovos, mas têm seus bebês parindo como todo bom mamífero. E como se isso não bastasse, o símbolo ainda é um “coelho”. Um macho! Se estes absurdos fossem levados em consideração o símbolo da páscoa seria uma galinha. Imaginem! Galinha da páscoa. Ou avestruz da páscoa. Ou cobra. Até os peixes põe ovos. Mesmo assim o animal responsável pelo ovo acabou sendo o coelho mesmo.        
            Mas o coelho não come os ovos. Ele só entrega. É você quem se entope de chocolate, comendo quantidades elevadíssimas, consumindo, numa única tarde, em calorias, mais do que o seu corpo precisa para uns 15 dias. É você que come sem parar, modelo após modelo, marca após marca; até o chocolate deixar de ter o sabor característico de um doce feito com altas concentrações de cacau e passar a ser amargo em contato com sua língua.
            Em suma! É chocolate como qualquer outro, é mais caro que qualquer outro, você come, engorda, cultiva espinhas das mais tenebrosas e ainda vai achar tudo isso muito bom.
            No fim das contas a páscoa não representa mesmo a morte e ressurreição de Cristo. É só mais uma data comercial altamente rentável com um apelo injusto que te pega pela visão, pela fome e por um falso sentimento de se estar presenteando alguém que se ama. Isso é muito eficiente. Numa só tacada, faturamos uma grana e mantemos as mentes de todos, longe daquele que deveria ser o personagem central deste evento.
            Nada me resta a não ser dobrar-me diante deste mestre. O coelho da páscoa. Querendo ou não, ele reescreveu a história.
            Eu adoro chocolate, mas quando olho as “estatísticas” não deixo de me sentir um idiota. Afinal de contas, eu também tenho dançado ao ritmo de uma música que eu nem estou ouvindo.
            Parabéns coelho!

Alexandre Rozato – glutão e crítico de guloseimas

terça-feira, 19 de abril de 2011

LIMITES E SEUS LIMITES

            Certo dia me perguntaram assim: porque você não tenta um “triatlo”(competição composta de natação, ciclismo e corrida)? Minha resposta, como de costume, foi muito rápida e direta: nado muito mal! E ainda por cima – disse eu – sou um atleta de final de tarde. Teria que abandonar tudo para tentar algo assim! E por tudo, explico-me, falo do emprego, que me toma a maior parte do tempo; o que neste momento da minha vida, não é a decisão mais acertada que eu possa tomar.
            Muito bem! Esta foi minha resposta. E eu ainda emiti uma frase muito interessante para terminar o meu raciocínio. Disse eu: já fui além do meu limite correndo apenas nos finais de tarde!
            Pronto! Uma resposta direta, uma justificativa aceitável e uma frase de impacto no final. Uma que calou o interlocutor e me deixou com uma sensação de dever cumprido.
            Refletindo depois a respeito desta minha resposta politicamente correta e sem brechas; cheguei à seguinte conclusão. Eu sou um covarde! Mesmo que tudo isso que eu tenha dito seja verdade, isso não me torna menos covarde. Esta “resposta”, nada mais foi além de uma fuga rápida. Não que eu tenha de aceitar de pronto, todo desafio que me lancem porque isso daria espaço para a libertinagem, como “se você não ‘pega’ todas, é porque não gosta de mulher”. Isto é algo bem diferente. Uma coisa é você ceder à pressão de amigos e conhecidos para fazer algo que não quer. Outra é fugir esgueirando-se de um desafio autêntico, que mexe diretamente com os seus “brios” de atleta.
            Na minha concepção, nem sempre tão correta, um atleta tem a obrigação de buscar ampliar os seus limites. Aumentar sua força, velocidade, precisão, agressividade, etc. Provas maiores e mais difíceis fazem parte deste crescimento.
Mas a minha resposta esquiva me mostrou que talvez eu não esteja assim tão propenso a romper os meus limites e sim a limitar as minhas capacidades. E se eu estou fazendo isso no esporte, que é uma área que eu amo, o que não estaria fazendo então nas demais áreas da minha vida, que não me são tão prazerosas assim?
A resposta me assustou. Foge-se em uma; foge-se em todas!
Acredito que o “X” da questão esteja na preparação. Quando você se põem a caminho; quando planeja o seu treino, o seu dia, a sua vida; quando se dispõem a sonhar e a buscar o sonho... algo sobrenatural é liberado e você é tomado por uma força e uma determinação meta-humana.
O importante mesmo é a jornada. Mais importante até do que a chegada!

Alexandre Rozato – Sonhador e Competidor
           

segunda-feira, 18 de abril de 2011

IRRESISTÍVEL INFLUÊNCIA


            No sábado último, dia 16 deste mês de abril, estivemos numa igreja quadrangular no bairro de Franco da Rocha. Quando eu digo “estivemos” falo de uma pequena comitiva, composta por minha família, com esposa e meus dois meninos e o grupo de louvor dos jovens da Primeira Igreja Batista de Pirituba, da qual também faço parte como membro há mais de 10 anos. Este encontro se deu enquanto nossa cobertura espiritual esta em Porto Seguro, no encontro da visão celular.            
            O fato de uma banda tocar umas canções e um preletor emitir algumas palavras, não configura nada de novo nem extraordinário. Isso é o que acontece em toda e qualquer igreja e até mesmo em alguns encontros seculares. O que é, de fato, extraordinário, e sempre configurará algo impressionante, é a irresistível influência do Espírito Santo, nas reuniões onde sua presença é “invocada” e desejada. No dia citado, era sensível a presença de Deus no local, mesmo sem as manifestações que (segundo alguns) marcam o porte de Jesus. Explico-me! Ninguém estava “afetado”. Não haviam choros, gritos ou qualquer coisa que parecesse acima da linha do “natural”. Nenhuma destas “marcas” é errada em si mesma. Mas reitero novamente a ausência de qualquer uma delas. As pessoas estavam muito “acordadas”; totalmente alerta e, pelo que pude notar, muito estimuladas pelas canções e pela preleção, que também será postada aqui posteriormente.  
            A presença de Deus pode ser notada por um fato que só chegou ao meu conhecimento hoje, dia 18/04/2011, por meio da líder do louvor da citada comunidade. Ela me informou que no dia do culto dos jovens, duas moças assistiam a tudo e participavam da maneira que podiam. Nenhuma das duas era convertida!
            Na noite do dia 16, eu não fiz o tradicional apelo, para aqueles que queriam aceitar Jesus como Salvador, pois imaginava que todos os presentes fossem convertidos. Afinal, até onde eu pude notar, todos estavam se comportando como crentes. Esta minha, falha, fez com que as duas moças voltassem pra casa sem experimentar o milagre da salvação. No entanto, a irresistível influência do Espírito Santo foi tão intensa, que as moças não perderam a sua recém adquirida fé. Imaginam que tenham acordado pela manhã como costumavam fazer corriqueiramente e que passaram o dia como de costume. Só que desta vez, havia algo diferente. A expectativa! Estas duas moças esperaram o domingo passar apenas para retornarem ao local onde haviam escutado o evangelho na noite anterior. E desta vez, o pregador da noite, não cometeu o erro que eu cometi. Ele fez o apelo! E elas receberam publicamente ao Senhor Jesus como salvador.
            Três coisas me impressionam neste episódio: minha incompetência como “pescador de almas”, a persistência destas moças, e a irresistível influência do Espírito Santo.
            Fica um apelo para todos os pregadores do evangelho; tanto os que falam em púlpitos, quanto os que compartilham a “palavra” com uma única pessoa. Sempre terminem a sua mensagem com o tradicional apelo. O máximo que pode nos acontecer é levar um não. Mas isso, está longe de ser problema nosso. Termine o seu serviço!

Alexandre Rozato – Pai de Multidões e lutador       

PONTO DE PARTIDA

            Como disse certo professor de faculdade, do qual não me lembro o nome de jeito nenhum, “as coisas seriam muito mais simples se começassem pelo meio”.
Ele realmente tem razão, se nós levarmos em consideração todo o desconforto dos “inícios”. Para o recém-nascido, por exemplo, não existe um choque, um trauma, uma agressão maior do que o próprio nascimento. Lá está ele, tão quentinho, tão confortável, tão protegido e, de repente, com um golpe tão brutal, toda a sua realidade é transformada. Onde antes havia o calor protetor; agora, o frio cortante. Onde antes o silêncio; uma sinfonia caótica. Isso sem falar na luz brilhante e na dor de usar os pulmões pela primeira vez. Ainda bem que não nos lembramos de nada disso. Seria por demais nauseante! Estes fatos nos põem a pensar: feliz foi Adão, que nasceu adulto! Ou pelo menos é isso que a maioria de nós acha, embora, sem prova nenhuma.
            É! Os “inícios” são difíceis. Primeiro beijo, primeiro emprego, primeira demissão, primeira separação. E todas estas coisas podem acontecer muitas vezes, sem que, no entanto, a sensação fique mais branda ou menos dolorosa. Primeira vez é primeira vez! Início é início!
            Porém, com todo o desconforto que um “início” possa oferecer, ele ainda é único num aspecto que o torna infinitamente preferível a começar “pelo meio”. A emoção da descoberta! O frio na barriga! O medo! Medo do desconhecido; de falhar; e, por vezes, medo de que dê certo. Quando um projeto termina, gera desconforto, um pouco de frustração; mas é isso. Acabou! Mas quando dá certo, abre-se um horizonte de possibilidades à nossa frente. A isso eu chamo “DESAFIO”!                
            Desafios são alimentados pelos sonhos e sonhos são o combustível da vida de qualquer ser humano vivo!
            Neste espaço, falarei a respeito das “coisas” e dos eventos que me trouxeram até este momento de minha vida, e compartilharei opiniões e idéias, minhas e de homens e mulheres que eu considero extremamente relevantes para o enriquecimento das vidas que por aqui passarem!
            Não acredito em coincidências, por isso, sei muito bem que se você chegou tão longe nesta leitura, é porque o próprio Deus te trouxe até aqui.
            Este é o ponto de partida; tenha uma boa jornada!  

Alexandre Rozato – Líder de Células e guerreiro