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terça-feira, 19 de abril de 2011

LIMITES E SEUS LIMITES

            Certo dia me perguntaram assim: porque você não tenta um “triatlo”(competição composta de natação, ciclismo e corrida)? Minha resposta, como de costume, foi muito rápida e direta: nado muito mal! E ainda por cima – disse eu – sou um atleta de final de tarde. Teria que abandonar tudo para tentar algo assim! E por tudo, explico-me, falo do emprego, que me toma a maior parte do tempo; o que neste momento da minha vida, não é a decisão mais acertada que eu possa tomar.
            Muito bem! Esta foi minha resposta. E eu ainda emiti uma frase muito interessante para terminar o meu raciocínio. Disse eu: já fui além do meu limite correndo apenas nos finais de tarde!
            Pronto! Uma resposta direta, uma justificativa aceitável e uma frase de impacto no final. Uma que calou o interlocutor e me deixou com uma sensação de dever cumprido.
            Refletindo depois a respeito desta minha resposta politicamente correta e sem brechas; cheguei à seguinte conclusão. Eu sou um covarde! Mesmo que tudo isso que eu tenha dito seja verdade, isso não me torna menos covarde. Esta “resposta”, nada mais foi além de uma fuga rápida. Não que eu tenha de aceitar de pronto, todo desafio que me lancem porque isso daria espaço para a libertinagem, como “se você não ‘pega’ todas, é porque não gosta de mulher”. Isto é algo bem diferente. Uma coisa é você ceder à pressão de amigos e conhecidos para fazer algo que não quer. Outra é fugir esgueirando-se de um desafio autêntico, que mexe diretamente com os seus “brios” de atleta.
            Na minha concepção, nem sempre tão correta, um atleta tem a obrigação de buscar ampliar os seus limites. Aumentar sua força, velocidade, precisão, agressividade, etc. Provas maiores e mais difíceis fazem parte deste crescimento.
Mas a minha resposta esquiva me mostrou que talvez eu não esteja assim tão propenso a romper os meus limites e sim a limitar as minhas capacidades. E se eu estou fazendo isso no esporte, que é uma área que eu amo, o que não estaria fazendo então nas demais áreas da minha vida, que não me são tão prazerosas assim?
A resposta me assustou. Foge-se em uma; foge-se em todas!
Acredito que o “X” da questão esteja na preparação. Quando você se põem a caminho; quando planeja o seu treino, o seu dia, a sua vida; quando se dispõem a sonhar e a buscar o sonho... algo sobrenatural é liberado e você é tomado por uma força e uma determinação meta-humana.
O importante mesmo é a jornada. Mais importante até do que a chegada!

Alexandre Rozato – Sonhador e Competidor
           

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