Sempre fui o menino mais magrinho da minha sala de aula. Magro e baixo. Um verdadeiro “chassi de pernilongo”, termo que ouvi muitos anos depois e que define perfeitamente e com muito bom humor a condição física de meninos como eu era. Claro que, por conta de tanta “exuberância” física, sempre sobravam piadas das mais ácidas. Principalmente porque crianças estão cotadas entre as criaturas mais cruéis da face da terra. Elas não têm escrúpulos nem piedade! Vale a máxima: perde-se o amigo, mas não a piada.
Recentemente entrei em contato com um novo termo. Trata-se do moderníssimo bullying, que nada mais é do que a “boa” e velha zoeira da época de colégio, que agora tomou vultos de “patologia social” e, antes tarde do que nunca, chama atenção para um problema que surgiu junto com a humanidade.
É bem verdade que, como de costume, nós tomamos o todo por causa de alguns fatos. Claro que o bullying não é bom e a minha intenção não é defendê-lo, muito menos incentivá-lo. Mas também não vou dar ao monstro um “tamanhão” descomunal, principalmente levando-se em consideração que a quantidade de sobreviventes é infinitamente superior à quantidade de caídos em combate.
Eu sofri bulying por causa de uma condição física comum que era peculiar a mim. Magrinho pobrezinho! Mas nem por isso me tornei psicótico, depressivo ou qualquer coisa do gênero. E o motivo é bem simples. Eu não sou um homem que se fez a si mesmo! Repito. Não sou responsável pelo meu próprio crescimento. Tive família estruturada. Isso faz toda a diferença!
Pode parecer que não, mas uma criança plenamente amada em casa por alguém que seja o seu porto seguro, sejam pais, sejam avós; uma criança que não se sinta rejeitada nem física nem intelectualmente por aqueles que formarão o seu caráter; um assim dificilmente sucumbirá às pressões de qualquer sociedade. Ele resistirá e gritará quando os abusos forem desmesuradamente agressivos, descambando para a violência e tornando-se criminosos.
Se nossas famílias não estivessem tão alquebradas, tão avulsas, tão destreinadas na antiga arte de criar filhos, provavelmente não estaríamos sofrendo com este vagalhão de ofensas tão insuportáveis às nossas frágeis crianças.
Treinem seus filhos! Preparem sua geração! Estejam com eles, não só para passar um tempo, mas para construir uma vida.
Magrinho sim! Frágil, talvez. Mas nunca conformado. Nunca indefeso!
A sociedade é criminosa e cruel sim por causa do bullying. Mas antes, ela é culpada pelo abandono de seus rebentos, gerando duas facções. De um lado as vítimas impotentes deste moderno mal antigo, sofrendo caladas e sentindo-se totalmente abandonadas e completamente incapazes de esboçar qualquer reação, que seja pedir socorro. Do outro, os “bullyingnadores”, pessoas que não foram devidamente apresentadas à limites em nenhum momento de suas vidas e que por conta disto acham-se no direito de romper os limites dos direitos dos outros.
Nascemos, crescemos e vivemos numa sociedade sem pais. Somos filhos do acaso com um dedo na boca e outro no gatilho!
Alexandre Rozato – observador estarrecido e reacionário
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