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segunda-feira, 25 de abril de 2011

ESSE GRANDE MESTRE: O COELHO

            É da natureza dos humanos realizarem estatísticas! Adoramos contar. Queremos saber quantos somos e quantos éramos; pra podermos saber quantos seremos e quantos carros serão vendidos e em quanto tempo não vai dar mais pra usar nenhum deles por causa do trânsito. Queremos saber sobre nossa opinião sobre os políticos, em quem nós vamos votar e quais são as melhorias que a gente quer. E tudo isso pra nada. Nadinha mesmo! Afinal, os candidatos se repetem de maneira patológica e quando mudam, nem percebemos de tão ruins que eles são. Fazemos pesquisa de preços e constatamos que tudo está subindo, mas o órgão responsável pela pesquisa, faz questão de ressaltar que não é por causa da inflação. Porque não tem inflação! Então ta subindo por quê? Bom. Deixa pra lá!
            O que eu quero mesmo é engrossar a estatística das estatísticas e lançar mais uma. A do chocolate e os efeitos colaterais no bolso, na cara, no peso. Eu não fiz pesquisa nenhuma pra lançar estes dados. Nem se pode chamar de “dados”! É fruto de observação. E de auscultação também.
            Os “estragos” são dos mais variados. Peso extra, espinhas à granel e rombo na conta bancária! Um dos maiores efeitos colaterais do pós-páscoa é o arrependimento. Desde que me lembro da páscoa, como a celebração da gula, me lembro também de escutar os lamúrios de moças e rapazes que ganharam centímetros, desfiguraram o rosto e endividaram-se! Sim; pasmem. O apelo que os ovos de páscoa emanam é tão poderoso que faz certos indivíduos (não poucos) comprarem as iguarias valendo-se dos sempre “generosos” cartões de crédito, não só para presentear, mas também para consumir. Todos sabem que o chocolate é religiosamente igual ao que compõe as barras e os bom-bons que ficam o ano todo sendo comercializados, mas isso não impede o consumo. Talvez exatamente pelo fato das guloseimas só apresentarem este formato oval, na páscoa. É tão apelativo assim o formato do doce? Pelas “estatísticas”, é sim!
            Coisas quase sobrenaturais e totalmente misteriosas cercam estes objetos do desejo. Para começar os “entregadores” são coelhos. É sabido que coelhos são vivíparos, ou seja, não botam ovos, mas têm seus bebês parindo como todo bom mamífero. E como se isso não bastasse, o símbolo ainda é um “coelho”. Um macho! Se estes absurdos fossem levados em consideração o símbolo da páscoa seria uma galinha. Imaginem! Galinha da páscoa. Ou avestruz da páscoa. Ou cobra. Até os peixes põe ovos. Mesmo assim o animal responsável pelo ovo acabou sendo o coelho mesmo.        
            Mas o coelho não come os ovos. Ele só entrega. É você quem se entope de chocolate, comendo quantidades elevadíssimas, consumindo, numa única tarde, em calorias, mais do que o seu corpo precisa para uns 15 dias. É você que come sem parar, modelo após modelo, marca após marca; até o chocolate deixar de ter o sabor característico de um doce feito com altas concentrações de cacau e passar a ser amargo em contato com sua língua.
            Em suma! É chocolate como qualquer outro, é mais caro que qualquer outro, você come, engorda, cultiva espinhas das mais tenebrosas e ainda vai achar tudo isso muito bom.
            No fim das contas a páscoa não representa mesmo a morte e ressurreição de Cristo. É só mais uma data comercial altamente rentável com um apelo injusto que te pega pela visão, pela fome e por um falso sentimento de se estar presenteando alguém que se ama. Isso é muito eficiente. Numa só tacada, faturamos uma grana e mantemos as mentes de todos, longe daquele que deveria ser o personagem central deste evento.
            Nada me resta a não ser dobrar-me diante deste mestre. O coelho da páscoa. Querendo ou não, ele reescreveu a história.
            Eu adoro chocolate, mas quando olho as “estatísticas” não deixo de me sentir um idiota. Afinal de contas, eu também tenho dançado ao ritmo de uma música que eu nem estou ouvindo.
            Parabéns coelho!

Alexandre Rozato – glutão e crítico de guloseimas

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